domingo, 31 de janeiro de 2010

TECNÓLOGO DE SEGURANÇA DO TRABALHO: É O CAMINHO?

Prezados leitores,

Acompanhamos pelos meios de comunicação, a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes de São Paulo. Foi denunciado publicamente que o governo implementou os principais pontos de sua política educacional no período de férias das universidades públicas paulistas, quando as associações docentes, os sindicatos dos trabalhadores e os centros acadêmicos dos estudantes dessas universidades encontravam-se desarticulados. Os defensores da qualidade de ensino ocuparam as reitorias e fizeram barricadas em defesa da autonomia universitária, da liberdade de ensino e pesquisa, da contratação de docentes e técnico-administrativos, da ampliação e liberação do repasse de recursos financeiros para as universidades públicas, da existência de fundações de amparo às pesquisas não submetidas à lógica daquilo que é vendável no mercado de patentes ou outros tantos.

No Brasil, vivemos um problema que, sempre quando surgem novas modalidades de ensino, os atores como os acadêmicos e partes envolvidas, formadores de opinião, em sua maioria não são consultados. Vemos leis de educação ser aprovadas sem fundamento consistente, apresentados quase sempre por “ILUMINADOS”. A intenção também é o preenchimento de LACUNAS; O sentido de suprir as necessidades do mercado, atingindo os propósitos pelo qual foram criadas fica em segundo plano; intrinsecamente o objetivo é atender uma demanda comercial. Observamos a divisão de opiniões (apesar de que é salutar esta modalidade), sem nenhuma conclusão apresentada à sociedade e não vemos o aprofundamento nos debates para melhorias das modalidades que já estão por aí criadas.

A maioria da sociedade acompanha passiva a baixa qualidade da educação e o lançamento de medidas paliativas ou “eleitoreiras”. Podemos citar os desastres: ESCOLA PLURAL, CURSOS A DISTÂNCIA, etc. As expressivas leis de educação, quase sempre também, partem por iniciativa do executivo.
Em outro ponto de vista, no mercado de trabalho, existem diversas empresas com PLANOS DE CARGOS E SALÁRIOS que passam pela formação de uma GRADUAÇÃO SUPERIOR. Esta é uma lacuna que temos que discutir com a categoria e com os profissionais de SST, MTE e MEC. O argumento apresentado pelos diretores das empresas para o que os Técnicos de Segurança do Trabalho não ocupem a direção ou o gerenciamento do SESMT é o fato do mesmo ter apenas a habilitação no nível pós médio.

Entendo que o Brasil carece de Técnicos, mas entendo também que, se conquistamos, em virtude da lei, um espaço dentro das empresas para garantir a segurança e saúde do trabalhador (SESMT), nós TST devemos estar constantemente preparados e isto nos diferencia da modalidade técnica no universo da educação. Devemos então ter a possibilidade de pleitear além, as diversas modalidades acadêmicas oferecidas. Isto atenderia os dois pontos apresentados anteriormente: A CAPACITAÇÃO e a OCUPAÇÃO DE CARGOS DE DIREÇÃO. Para os defensores dos TST com apenas curso pós-médio, dentro do SESMT, estes, já passam a ser ufanistas. Em um terceiro ponto, deve-se discutir também a modalidade Seqüencial ou Tecnólogo X Graduação Regular.

Portanto devemos esgotar os argumentos sobre este assunto com as partes envolvidas, tanto no meio de SST quanto no meio educacional e tentarmos formatar um conceito ou avaliar se o Tecnólogo de SST é REALMENTE A MELHOR OPÇÃO para suprir uma possível lacuna. Não podemos deixar de ressaltar a defesa do aperfeiçoamento do modelo educacional no Brasil. Uma AUDIÊNCIA PÚBLICA proposta pela Câmara de Deputados com todas as partes seria propício. Até então ficamos a mercê do capitalismo das escolas e universidades de formação.

Atenciosamente,

Cláudio Kcau

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